terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

E AGORA JOSÉ?

José Agripino Maia

Vítima de uma chantagem do senador José Agripino Maia, presidente nacional do DEM. Foi assim que o advogado George Olimpio afirma ter se sentido quando encontrou o parlamentar no apartamento dele em Natal e aceitou pagar R$ 1,150 milhão para manter o projeto de implantação da inspeção veicular no Estado – processo criminoso denunciado em 2011, pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte, na Operação Sinal Fechado. O detalhamento desse “sentimento” foi relevado em reportagem especial exibida pelo Fantástico, da Globo, na noite deste domingo.
“Subimos para a parte de cima do apartamento do senador José Agripino e começamos a conversar e ele disse que: George, a informação que nós temos é que você deu R$ 5 milhões para a campanha de Iberê. Eu dei R$ 1 milhão para a campanha de Iberê. ‘Pois é e tal… como é que você pode participar da nossa campanha?’ Eu falei: R$ 200 mil, tenho condição de te conseguir esse dinheiro já. Na semana que vem eu te dou R$ 100… Aí ele disse: ’pronto, aí vai faltar R$ 700 para você dar a mesma coisa que deu para a campanha de Iberê’”, narrou George Olimpio em vídeo feito pelo MPRN durante a delação premiada.
“Para mim, aquilo foi um aviso bastante claro que, ou você participa, ou perde a inspeção. Uma forma muito sutil, mas uma forma de chantagem. R$ 1,150 milhão foram dados em troca de manter a inspeção”, acrescentou o réu na reportagem especial, repercutida nos principais sites de notícias do País, como o Globo.com.
É importante ressaltar que essa não foi a primeira vez que José Agripino foi citado na investigação da Operação Sinal Fechado, deflagrada pelo MPRN em 2011 para desbaratar o esquema criminoso montado no Estado para implantar a obrigatória inspeção veicular. Em 2012, outro réu do processo, Alcides Barbosa, também afirmou que o presidente nacional do DEM tinha cobrado R$ 1 milhão para manter o projeto de implantação no governo da correligionária Rosalba Ciarlini, que se iniciaria em 2011.
O depoimento de Alcides, que corroborava o de outro réu, José Gilmar, conhecido como Gilmar da Montana (prestado em 2011, mas alvo de um pedido de desconstituição pelos advogados dele), foi alvo de críticas e da negativa do próprio George Olimpio, que na época não tinha assinado o acordo de delação premiada. George, acusado pelo MPRN de ser o mentor do grupo criminoso, disse que eram mentirosas todas as declarações de Alcides, tanto as que acusavam ele, quanto as sobre José Agripino.
E foi justamente essa declaração da época de George Olimpio que o senador potiguar se utilizou para pregar a inocência na matéria exibida pelo Fantástico. Em Miami, nos Estados Unidos, José Agripino confirmou ao Fantástico que conhecia George Olimpio, que seria parentes de amigos do pai do senador. Confirmou também que George o visitou na casa dele, em Brasília, e no apartamento dele em Natal.
“Eu nunca pedi nenhum dinheiro, nenhum valor a George Olimpio conforme ele próprio declarou em cartório, não me deu R$ 1 milhão em hipótese nenhuma”, afirmou José Agripino, acrescentando que é “uma infâmia, uma falta de verdade. É completamente falso e faltando com a verdade”, afirmou José Agripino em entrevista.
Diferente do que disse na época, George Olimpio agora garante que Agripino pediu propina e, por isso, o depoimento já foi enviado para a Procuradoria-Geral da República, que detém os direitos de investigação dos senadores – por ter foro privilegiado. “George estava se sentindo abandonado pelos comparsas, pelos demais membros da organização criminosa, e temendo ser responsabilizado criminalmente sozinho, ele procurou o Ministério Público querendo colaborar para ter a obtenção de alguma espécie de benefício”, relembrou a promotora do Patrimônio Público, Keiviany Sena.
“De quanto é que seria essa ajuda? Aí Ezequiel diz: uns R$ 500 mil”
Presidente nacional do DEM, José Agripino não foi a única liderança política citada na reportagem por envolvimento na Operação Sinal Fechado. Os ex-governadores Wilma de Faria e Iberê Ferreira, ambos do PSB, e o atual presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, do PMDB, também apareceram na matéria exibida neste domingo. O nome do deputado estadual, inclusive, surge em trecho exibido da delação premiada de George Olimpio, assinada no ano passado.
“Aí eu digo: de quanto é que seria essa ajuda? Aí Ezequiel me diz: George, uns R$ 500 mil. Eu tenho como pagar R$ 300 mil. Eu dou R$ 150 quando foi aprovado e os outros R$ 150 você me divide em três vezes”, contou George Olimpio em vídeo de depoimento prestado ao Ministério Público do RN, após a assinatura da delação premiada.
Segundo o depoimento de George Olimpio, Ezequiel Ferreira teria oferecido “ajuda” na aprovação da matéria que tornava obrigatória a inspeção veicular no RN em troca de dinheiro. Por isso, foi denunciado na última sexta-feira pelo procurador-geral de Justiça, Rinaldo Reis, na última sexta-feira, por corrupção passiva.
“A lei foi aprovada com a dispensa de toda a burocracia legislativa. Não tramitou em nenhuma comissão temática da Assembleia”, ressaltou o procurador-geral Rinaldo Reis, acrescentando que, além do depoimento de George, há também contra o presidente da Assembleia Legislativa documentos que comprovariam o contato com o réu e o pagamento de propina.
Lembra-se que, apesar do valor ter sido pago a Ezequiel Ferreira, a inspeção veicular nunca chegou a funcionar, porque ainda em 2011 o MPRN descobriu todo o esquema e denunciou 34 envolvidos, entre eles, George Olimpio, os ex-governadores Wilma de Faria e Iberê Ferreira, e empresário Lauro Maia e o suplente de senador João Faustino.
WILMA, IBERÊ E LAURO
A reportagem também relembrou que esquema da propina teria sido negociado na residência oficial da então governadora e hoje vice-prefeita de Natal, Wilma de Faria (PSB), e o acerto teria sido feito com o filho dela, Lauro Maia – condenado em 2013 na Operação Hígia, por também acertar o recebimento de propina na residência oficial da governadora, mas de contratos ligados a terceirizadas da saúde.
Ele começou ainda antes da inspeção veicular. “O instituto (liderado por George Olimpio) tinha função de cobrar uma taxa de cada carro financiado no Rio Grande do Norte, mas segundo o MPRN, nessa taxa, estava embutido o custo da propina”, afirmou o reportar Maurício Ferraz, do Fantástico.
Segundo George Olimpio, de cada contrato, ia uma média de R$ 15 para o “Governo”, o que dava cerca de R$ 75 mil por mês para eles. O valor era pago ao então diretor do Detran/RN, Erico Valério Ferreira, e continuou mesmo com a saída de Wilma e a chegada ao Governo de Iberê Ferreira de Souza (PSB), hoje falecido.
Em nota, Wilma de Faria afirmou que considera qualquer “citação nesse contexto como uma ilação caluniosa, injusta, desrespeitosa e antidemocrática”. Lauro Maia afirmou que desconhece o conteúdo da delação de George Olimpio, mas adiantou que repudia qualquer afirmação de que teria participado de esquema criminoso.

Fonte: Portal JH

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